Quero escrever, mas tudo parece levar me aos mesmos lugares comuns. Se não me esvazio para voltar a encher o espaço vazio das mesmas coisas, elevo me ao mais alto de mim e acredito que já percebi e que já sei afinal como começar a caminhar. Nada é mais mentira e nada é tão verdade, mas escrever sobre tudo isso parece um carrossel a girar sobre o mesmo sitio há tempo sem fim. Sento me quieta com a caneta e o papel, e só me apetece gritar, um grito que faça silencio no mundo, nas coisas que se movem e emitem ruídos, um grito que chegue aos ouvidos de quem comanda os acasos, de quem gere com razão ou sem ela os meus encontrões e se esse alguém sou eu, quero ouvir o meu grito e ficar quieta. Quero sentir o cheiro deste momento, apalpar com serenidade este pequeno momento entre mim e este pedaço de papel no qual me debruço com todas as palavras que existem, na tentativa de conseguir explicar este sentimento, quero que este momento seja pleno, não tenho mais nenhuma necessidade, não recorro há mais nenhum artefacto, quero que ele seja ele, puro, simples. Teremos alguma vez esses momentos? Quando estamos ou somos apenas aquilo que o momento pede ou necessita? Não sei, parece me que estamos sempre ou mais a frente ou mais atrás, com uma bagagem já existente ou com o tanto que ambicionamos. Tudo se torna pouco ou demasiado, tudo se desencaixa sem deixar rasto da formula de voltar a fazer o encaixe perfeito.
Quero escrever…
Na categoria Da alma
Tu em mim
A Noite de forma desarrumada penso mais em ti
Como serás
Que forma terás
O teu sorriso
Irei entender te
Viras mesmo
Queria gerir esta ansiedade de te conhecer
Mas foge me do controle
Imagino
Puder olhar horas a fio para o teu rosto
Pegar nas tuas mãos
Brincar com os teus pés
De dia passas no barulho dos meus afazeres
Em uma ou outra pergunta
Num ou outro pensamento
Mas a noite deitas me em mim
Como quem toma posse de um castelo
Geres os espaços
Fico a imaginar te sem conseguir parar
Sei que me vais surpreender
Sei que nada do penso irá acontecer
Terás forma própria e serás como entenderes
Mas deixa me feliz esse comando que tens em mim
Na categoria Da alma
Benvindo 2011
2010 acabou e entrou em cena o ano de 2011…
Sinto, que este ano irá ser um ano de grandes mudanças, de grandes novidades e de coisas novas e diferentes, e normalmente as mudanças significam rupturas mesmo que positivas com aquilo que era habitual e antigo.
Damn….aprendi muito neste ano que passou, mas engraçado é que aprendi que afinal não sei muito e eventualmente muito pouco vou saber, porque a vida tem esta formula magica de nos surpreender, de nos apresentar novos dados, novas equações, de nos desafiar, e se não nos fecharmos no que achamos ser a nossa sabedoria, se nos abrirmos para esses novos desafios, ora muito pequenos mas difíceis, ora muito grandes mas que nos envolvem e nos absorvem, abrimos a nossa cabeça e experimentamos novas sensações, sensações velhas que tínhamos fechadas num qualquer baú das memórias, medos que vencemos…enfim, abre se um leque de novas opções.
Recebo 2011 assustada mas feliz, preocupada mas com a certeza que surgiram variáveis e mecanismos que me ajudaram a dar respostas as minhas questões, porque não sei nada mas isso afinal não é importante.
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Antecâmara
Estou sentada, cansada de tanto correr, porque só agora reparei que não podia ter pressa. Não sei explicar, começou tudo tão de repente, algo profundamente vazio encheu se de cores e de expectativas, e muitas delas já estavam há muito coladas a esse longo vazio.
Tropecei no amor ou ele esbarrou comigo, e como uma corrida sem fim abri portas e janelas, pintei paredes e enchi armários e gavetas. O amor que tem quês e porquês, recolheu se em si e vai espreitando para ver a melhor forma de voltar em pleno, umas vezes não sabe se acelera outras confuso não sabe se desacelera.
Mantenho me assim sentada, preciso sentir a direcção do vento e alinhar me a ela. Preciso seguir o cheiro, aquele cheirinho que promete o conforto mesmo quando há trovoadas, mesmo quando tudo parece contrario e a alma sorridente sabe que esta certa.
Na posição em que me encontro sinto o pulsar do meu coração como o tic tac de um relógio antigo, mas sei que devo demorar a levantar me, devo ter cuidado nesse primeiro passo meu. Sou um pouco da minha figura num filme, parece me tudo contado, uma pequena historia, por ora triste mas que ninguém anuncia o final.
Baixo os braços, rodo a cabeça, estico as pernas. Estico os braços, e volto a posição em que tudo começou, não posso correr mais e não sei como andar, pé ante pé, sem me apressar. E o tempo escasseia, e urge essa necessidade de saber me pronta. Mas fico assim mais um pouquinho…se pelo menos o vento me ajudasse e começasse a soprar…
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Catalogo meu!!!
Faz tempo que não me sento com as palavras…deixei as flutuarem tanto tempo em mim que ando na brincadeira do cão e do gato para as conseguir por nesta ordem, para conseguir dar forma de escrita, de leitura ou seja lá o que for que daqui sairá.
O tempo tem feito de tudo um pouco em mim, fechei e abri portas, escancararam se janelas e pequenas frestas de ar foram por fim seladas. Abriram se milhentos de novos mundos e de repente sinto me pronta e bem.
Falta me o tempo do tempo, em que me sento e ordeno tudo, como se de um catalogo se tratasse. Tenho esta compulsão, de tempos em tempos, sento me comigo e com tudo o que me vai na alma, memorias, momentos, dores, alegrias, tento contextualizar de mim para mim.
Coisa estranha, eu sei. Como se vivesse, vivesse e de repente parasse para arrumar, para perceber. E depois, voltasse a viver, a viver para mais tarde de novo parar e arrumar. Poucas são as fases em que tudo rola organizado e arrumado, em que no tempo da vivencia consigo ter o tempo de absorção total, do entendimento, da compreensão. E embora os gaps sejam cada vez menores, essa sou normalmente eu!!
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Monstros Verdes e Castanhos…
Tenho monstros verdes e castanhos
A flutuarem no meu pensamento
Com bolas azuis enormes
Deitam fogo pela boca
E eu não sei o que querem de mim
…
Levam me sem eu pedir
Para esse olhar incógnito
Que ocupa espaço
Que aumenta
E diminui o tempo
…
Fazem do meu pensamento
A casa deles
E dia após dia
Vão se instalando
Fazendo ninho
…
Nada os demove
Quando por momentos consigo pensar
Logo os sinto a correr
A tirar um pensamento
E por outro
…
Atiram bolas de fogo
Voam
Trancaram o meu sossego do pensar
E como nas gavetas pouco havia
Criaram desejos
E vontades
…
Eles são fortes
Não tem hora
Não tem olhos abertos
Nem fechados
…
Preciso da fada
Aquela que nestes trovoadas
Me indica o caminho
Que quebra o feitiço
Aquela que só a conheci
Nos passos mais a frente
…
A fada da maturidade
Que equilibra a ponte
De tudo o que penso
E me ajuda a ter paz
…
Tira me o sono
Esta actividade monstruosa
De pensamentos novos
Cheia de monstros verdes e castanhos
Com bolas azuis.
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um pouco mais
Estou no salto do tempo, em tudo parece nada e um pequeno nada que se transforma em tudo. Quero pouco, os dias como forma arrumada de medir o tempo, como se isso fosse afinal importante. Mas, resta pouco nesse saber continuo, a força de perceber e interiorizar que o segredo é pequeno e torna tudo maior. Sou mais porque me esvaziei, sou mais porque quero menos, estranho, não é??
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Cabo Verde
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Saudade que mata
Como se houvesse alguma forma de contornar o transtorno que esta saudade me causa, nos dias, nas horas, nos minutos em que sinto os músculos do meu corpo todo contornarem se, esticarem se e tornarem uma forma dolorosa da alma numa forma física de sentir a dor.
Se pudesse saber esse tamanho, se pudesse medir com exactidão criava a jaula da saudade e durante o dia para puder viver melhor trancava a na jaula e escondia a chave na racionalidade do dia, de ter que viver e respirar mais tranquilamente.
Não sei se percebo ou se afinal ainda nada se explicou dentro de mim, mas sei que não chamei por ti e se te abriguei de forma inconsciente, perdoa me e vai embora. Dá me a paz que me tiraste ainda que te tenha deixado entrar de livre e espontânea vontade, da me de novo a incerteza de não sentir nada.
Quando abro a porta da vida, quando olho para a frente, um vento forte que vem não sei de onde bate com a porta na minha cara, deixa me de novo sentada nessa saudade, que ora me aconchega ora me rompe toda por dentro e desespera me nos dias sem saber de ti.
De onde vem a saudade?? Serás que a sentes como eu?? De onde vem essa necessidade de te cheirar, de saber de ti, de te tocar?? Estou fraca, debilitada em mim e quero acordar desta forma de estar e sentir. Por favor, bate de novo na minha porta e senta te na minha vida, ainda que por um momento que acalme apenas a saudade, ainda que sem a verdade do sentimento, desde que com vontade, porque não sei se sobrevivo há mais um dia.
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Sabes que te amo??
Sabes que te amo
que no vai e vem sem certeza
o teu cheiro entrou me pelas veias
e deu sentido ao meu olfacto
…
entre o beijo roubado
e o racional tantas vezes pensado
nesse intervalo quase mínimo
nessa brecha quase minúscula
passei a amar te
…
não sei se o teu olhar
se o teu toque terno e muitas vezes assustado
não sei se o silencio cheio de gritos
se o toque da pele que sempre tentei negar
mas tudo isso transformou me
…
sabes que te amo
quando dizes uma piada sem piada
e me rio perdida porque na realidade acho graça
quando és imprevisível
e me dás um sorriso, um abraço
…
sabes que te amo
porque sou cúmplice
porque não preciso de ti
e preciso tanto
…
sabes que te amo??
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