Hoje acordei com o sono de todos os outros dias que não consegui dormir. Quero dormir mas não apenas o sono, quero dormir os pensamentos, quero dormir as ansiedades, quero dormir os medos e ficar quieta por um pouquinho. Não, não é que eu não queira viver, apenas as vezes é cansativo pensar em tudo, fazer tudo dentro da maturidade que se exige, dentro da maturidade que nos promove ao equilíbrio. E o meu interior??? E a minha vontade de por tudo cá para fora??? E os meus desesperos, os meus desejos, os meus anseios que ficam atirados dentro de mim, num qualquer canto sem aconchego de nada, com o bom senso a passar a mão por todas essas questões, a autopromover o equilíbrio ainda que apenas externo, ainda que apenas para evitar a colisão com a verdade despida dos adornos necessários a convivência. Não existe um caminho mais correcto ou uma escolha mais acertada, existe a interacção no espaço do outro e as desilusões de nem sempre baterem naquilo que desejamos bem no fundo de nós e esse exercício é muito exaustivo, esse exercício tira nos o sangue, suga nos a esperança e ao balancear nos a vida tira nos tanto. Tenho menos duvidas mas não necessariamente mais certezas, apenas deixei de questionar o que também para mim não consigo encontrar um fio condutor, os sentimentos. Quero dormir um pouquinho mais, sem acordar para respirar, para viver, para sentir…quero acordar sem querer questionar e sentir sem culpa ou expectativa, porque tudo isso é cansativo, ora me exalta de alegria ora me deprime e me deixa tão só. Não, não é tristeza ou depressão, não é que tudo esteja a correr mal ou eu esteja nas ultimas como dirão as minhas amigas e amigos, apenas reflexão. Isto de viver os dias balanceando o bom senso na convivência de tudo o que nos rodeia é cansativo, isto de reprimir o que sentimos, porque nem sempre podemos, nem sempre devemos e nem sempre estamos preparados para dizer, é como comprimir dentro de nós o melhor do que somos e vivemos, mas isto tudo é viver, é interagir e andar pela vida.