Descobri que não vivo na mesma cidade que na realidade vivo, porque a cidade onde vivo na minha cabeça resume se há umas pequenas ruas. Não acontece assim, porque não sei porque não quero ver o outro mundo mais duro, uma outra realidade muito mais confusa, mas apenas porque no dia a dia da minha rotina consciente e inconscientemente esqueço me que ela existe.
Luanda não é a baixa, as ruas da marginal ou até um pouco da ilha, Luanda tem ruas e caminhos aos quais nunca cheguei, tem gente e vidas que poucas vezes pensei. Nos dias que acordo cansada sem nada ter feito, olho para as ruas da cidade que só existe na minha cabeça, para o transito, para o lixo ou para a degradação dos prédios, e isso deixa me esgotada por si só, tem dias que não compreendo o pó, a falta de civismo, a falta de agua ou de luz, as filas para por combustivel. E ainda assim, isto tudo é pouco para a realidade de Luanda, a cidade que vai para além da cidade da minha realidade, para as ruas que vão para além do meu imaginário, para as dificuldades que ultrapassam esta pouca compreensão que tenho dentro de tudo a que consigo ter acesso.
Mas os dias vão correndo e em muitos momentos vejo a esperança estampada no rosto de algumas pessoas, a alegria da vida que se manifesta nas formas mais diversas e de uma maneira ou de outra da forma como todos vamos vivendo esta realidade. Viver nas ruas da minha cidade é com toda a certeza muito diferente de viver em Luanda, não sei mesmo se posso apesar de tudo dizer que vivo em Luanda!!!


