MarinaLua

2007/12/11

Divagações

Arquivado em: Artigos — marinalua @ 14:13

Ontem numa agradável conversa, apercebi me (com mais consistência) que a vida tem um conjunto de complexidades que nos limitam a liberdade. Poderia eu dizer, que a própria sociedade nos obriga a tomar decisões difíceis e a seguir caminhos menos desejados. Não sei, em que momento da historia, a sociedade tomou este caminho, não sei se o homem com todas as suas imperfeições a obrigou a isso, mas sei que devíamos contrariar a corrente que nos leva a ser cada vez menos livres, cada vez mais hipócritas, como se fosse uma provocação há dadiva que temos de podermos pensar, podermos ser racionais.

Acredito afincadamente que não existem verdades absolutas, como dizia Karl Popper “Não existem verdades absolutas, apenas hipóteses nunca refutadas”, por isso acredito que o debate e diferentes pontos de visão nos ajudem sempre a aumentar o nosso próprio ângulo de visão. Vivemos rodeados de frase já feitas, de comentários nada sinceros e de amizades fast food. Profissionalmente, escondemo-nos atrás de modos e maneiras politicamente correctos e poucas vezes levantamos o dedo para contrariar o geral, com medo de perdemos o nosso lugar, de magoarmos sem ser essa intenção um colega ou qualquer outra situação.

Outras vezes, escondemos ideias na gaveta com medo de as expor ao criterioso mundo das verdades absolutas. Dizer a verdade é quase sempre um acto de amor, uma questão de cidadania, não deveria levar ninguém a pensar que podemos resumir esta questão ao seguinte: Preferes ter sempre razão ou ter sempre amigos??? Esta é a pergunta que define o mundo actual, deixamos para trás o exercício de filosofar sobre as coisas, de correr atrás daquilo que acreditamos e tornamo-nos mestres em disfarçar emoções ou esconder interesses, porque tudo muda quando conseguimos dizer exactamente aquilo que pensamos.

Espero que a idade, pelo menos a alguns de nós nos vá dando imunidade aos pensares e olhares alheios e possamos tranquilamente amar a verdade e viver com essa verdade, porque apenas sim (acredito eu) podemos ser livres. Queremos de facto que assim seja??? Ou podemos filosofar desvairadamente sobre a questão, sendo o nosso filosofar muito mais amplo e transformador do que o mero pensar, tentando enfim perceber, o que é a verdade??? Para sermos livres teremos que em última instância ser verdadeiros??? Ou é mais fácil adoptar um modelo para nós em particular e seguirmos a marcha do grupo sem questionar???

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