Estou numa procura desenfreada de mim, perdi me numa rua, esquina, num desafio, num amor ou nem sei bem em o que!!!. Durante meses tenho olhado para o espelho e não me tenho visto, perdi o vigor da alegria que me era tão característico, a vontade de acreditar e de saber que só pela força dessa vontade tudo vai valer a pena.
Engraçado, passamos alguma parte da nossa vida a tentar perceber que caminho é que seguem as pessoas e tentamos ir pelos mesmos lugares, como senso comum. A vida dinamiza se, individualiza se e nos limitamos nos a aceitar la assim, sem questionar, sem desafiar esse obvio que se põe a frente de nós como um facto. Não sei se tudo corre muito rápido ou se queremos acompanhar esse ritmo e nos descompassamos e nos perdemos em nós mesmos.
Já não estamos na infância, quando somos crianças temos a capacidade de sentir sem compreender e vamos guardando feridas no coração que ao longo do nosso crescimento se tornam demasiadamente profundas, devíamos ser todos obrigados a tentar perceber o que sentimos, porque sentimos, não na perspectiva de julgar se certo ou errado, mas na perspectiva de nos percebemos, de nos aceitarmos e de deixar o coração e as feridas sararem com tempo de não atingirem a profundidade da difícil resolução.
Pois é, estou a sair de um amor e a tentar resgatar um novo estado de amor, nem que seja o próprio, mas para isso primeiro tenho que me desintoxicar, por meio da rejeição ao condicionamento ao qual estava sujeita. Acredito que só consigo crescer quando me atrevo a questionar o status quo e essa minha posição contrária deve ser compreendida como um estado elevado de consciência, impregnada de liberdade para experimentar estados contrários e todas as suas possibilidades. Uma coisa para mim é certa hoje, o desenvolvimento de estados de amor só é possível em mentes livres e mentes livres são aquelas que não têm medo de estimular os seus sentimentos.
Tenho dificuldade em perceber se as nossas escolhas são feitas pelo acaso, se podemos dizer que se devem ao seu parente de gala, o destino, quero sair deste caminho estreito em que me encontro, que é mais cicatriz que rua e voltar a sentir o coração bater me no peito e sentir a alma a abrir caminho e desatar a correr pelas escadas, como o sentimento de adolescente que nos faz sentir tão bem. Mas crescer é também saber dizer que sim, mesmo quando não é exactamente aquilo que queríamos, é saber aceitar algumas coisas de cara alegre como um percurso que temos que percorrer para chegar aonde queremos, para chegarmos aonde o nosso sonho nos consegue conduzir.
Passamos pelo condição de vivermos pequenos amores, quando não temos um amor e todos juntos esses pequenos amores enchem nos a vida quando estamos optimistas, mas de nada servem quando estamos tristes, porque a energia libertado por um amor pequeno não chega para o fazer crescer, desaparece no ar, rapidamente e mal deixa vestígios. Disser o que sinto é difícil, mas existe um pequeno poema ou trecho, não sei bem, que diz exactamente aquilo que mil palavras não explicariam:
” E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade…também.” Oswaldo Montenego.


