Não sei bem se acredito no acaso ou se o facto de vivermos um qualquer acontecimento nos torna mais despertos para tudo o que possa estar relacionado com esse acontecimento em particular. Estamos mais sensíveis para o que acontece e acusamos a recepção de algumas coisas que numa outra situação nos poderia claramente passar ao lado.
O filtro é o exercício de maturidade mais difícil de se fazer. Filtrar é seleccionar tudo o que vivemos, quase um coador, coamos a vida e os momentos em si, deixando apenas aquilo que para nos comporta relevância. E, digo relevância não sempre positiva ou boa, maus momentos ajudam nos numa estruturação mais rica daquilo que nos vamos tornando.
Tenho andando a volta das amizades e do percurso que fui fazendo neste tão importante e delicado tema da vida. Se viver é agir agora, vamos inventando a vida a medida das escolhas que temos que fazer. Se escolher é ser livre, então poderia eu dizer que, directa ou indirectamente, estamos condenados a liberdade. E se somos imperfeitos e muitas vezes escolhemos errado, posso hoje aferir, há enganos há que não se sobrevive ou que aos quais se sobrevive mal.
Com amigos verdadeiros toda a sobrevivência torna se mais acessível. Escolher um amigo, acredito hoje, é um acto difícil e quase heróico quando na realidade o conseguimos. Já me enganei imensas vezes, já perdi amigos que levaram parte daquilo que é a minha historia e já acreditei que fazer amigos fosse mais fácil e na realidade não é. Mas sei também que tenho verdadeiros amigos.
“Para que duas pessoas sejam amigas é necessário que se queiram bem uma à outra e se desejem mutuamente tudo de bom, mas de uma forma tal que isso mas lhes passe despercebido.”
A amizade quase perfeita existe entre pessoas de bem e os que são semelhantes a respeito da excelência. Excelência no sentido em se quer para os amigos o mesmo bem que se quer para si mesmo, e isto, consegue se com muito poucas pessoas. Porque ser amigo de alguém é sempre aceitar os outros exactamente como eles são, e na realidade somos todos imperfeitos e únicos.
Uma vez, o homem que mais gostou de mim até hoje, disse me, o que eu mais gosto em ti não são as coisas boas, as coisas fáceis que tudo mundo gosta, o que eu mais gosto em ti é exactamente aquilo que ninguém percebe como é que eu gosto, mas que acaba por ser o que mais te caracteriza, por isso é que eu te amo e é disso que eu sinto falta.
Amo os meus amigos, amo de amor, amo de paixão…cada vez mais