Tenho monstros verdes e castanhos
A flutuarem no meu pensamento
Com bolas azuis enormes
Deitam fogo pela boca
E eu não sei o que querem de mim
…
Levam me sem eu pedir
Para esse olhar incógnito
Que ocupa espaço
Que aumenta
E diminui o tempo
…
Fazem do meu pensamento
A casa deles
E dia após dia
Vão se instalando
Fazendo ninho
…
Nada os demove
Quando por momentos consigo pensar
Logo os sinto a correr
A tirar um pensamento
E por outro
…
Atiram bolas de fogo
Voam
Trancaram o meu sossego do pensar
E como nas gavetas pouco havia
Criaram desejos
E vontades
…
Eles são fortes
Não tem hora
Não tem olhos abertos
Nem fechados
…
Preciso da fada
Aquela que nestes trovoadas
Me indica o caminho
Que quebra o feitiço
Aquela que só a conheci
Nos passos mais a frente
…
A fada da maturidade
Que equilibra a ponte
De tudo o que penso
E me ajuda a ter paz
…
Tira me o sono
Esta actividade monstruosa
De pensamentos novos
Cheia de monstros verdes e castanhos
Com bolas azuis.



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