Quero escrever, mas tudo parece levar me aos mesmos lugares comuns. Se não me esvazio para voltar a encher o espaço vazio das mesmas coisas, elevo me ao mais alto de mim e acredito que já percebi e que já sei afinal como começar a caminhar. Nada é mais mentira e nada é tão verdade, mas escrever sobre tudo isso parece um carrossel a girar sobre o mesmo sitio há tempo sem fim. Sento me quieta com a caneta e o papel, e só me apetece gritar, um grito que faça silencio no mundo, nas coisas que se movem e emitem ruídos, um grito que chegue aos ouvidos de quem comanda os acasos, de quem gere com razão ou sem ela os meus encontrões e se esse alguém sou eu, quero ouvir o meu grito e ficar quieta. Quero sentir o cheiro deste momento, apalpar com serenidade este pequeno momento entre mim e este pedaço de papel no qual me debruço com todas as palavras que existem, na tentativa de conseguir explicar este sentimento, quero que este momento seja pleno, não tenho mais nenhuma necessidade, não recorro há mais nenhum artefacto, quero que ele seja ele, puro, simples. Teremos alguma vez esses momentos? Quando estamos ou somos apenas aquilo que o momento pede ou necessita? Não sei, parece me que estamos sempre ou mais a frente ou mais atrás, com uma bagagem já existente ou com o tanto que ambicionamos. Tudo se torna pouco ou demasiado, tudo se desencaixa sem deixar rasto da formula de voltar a fazer o encaixe perfeito.



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