Desde que voltei para Luanda, talvez pela idade, pela maior proximidade com o estilo masculino que me tenho deparado com conversas estranhas sobre o papel das mulheres, quer nas relações, quer na sociedade. Mas mais estranho ainda é não conseguir debater o tema com as ditas mulheres, que me dizem bem alto e de modo enfático, que eu tenho estas teorias, porque afinal não sou casada, depois mudas acredita, oiço vezes sem conta.
De repente deparo me com esta crónica sobre o macho latino segundo Maria Filomena Mónica e partilho esta passagem com vocês: “ As duas jugoslavas, que andavam a pedir boleia pela estrada nacional nº125, estariam a “pedi-las”, ou seja, disponíveis para a foda. A fim de que os leitores fiquem cientes de que não invento, eis um extracto da sentença: É impossível que não tenham previsto o risco que corriam; pois aqui, tal como no seu pais natal, a atracção pelo sexo oposto é um lado indesmentível e, por vezes, não é fácil domina-la. Assim, ao meterem se as duas num automóvel, justamente com dois rapazes, fizeram-no a meu ver, conscientes do perigo que corriam, até mesmo por estarem numa zona de turismo de fama internacional, onde abundam as turistas estrangeiras habitualmente com comportamento sexual mais liberal e descontraído do que a maioria das nativas. Depois de violadas, as raparigas fizeram o que deviam: queixaram se à policia. Do primeiro julgamento houve recurso. A 18 de Outubro de 1989, o Supremo Tribunal de Justiça dava razão aos juízes algarvios. Bonita sentença.!”
Fico sem palavras, bloqueia me o cérebro e tudo se transforma de forma incerta, porque continuo sem perceber o porque de ainda hoje não se exercitar o pensamento e se tentar perceber qual será efectivamente o papel da mulher na sociedade. Será a mulher mais dona dos filhos porque os carrega no ventre nove meses?? Será melhor mulher aquela que faz tudo aquilo que o marido considera importante?? Será casar um factor de diferenciação e felicidade, em que as mulheres que casam são as mulheres de respeito e depois existem as outras?? Teremos sempre de ser catalogadas de boazonas, ou analisadas pelo tamanho das mamas, ou das nadegás, ou ainda outra qualquer parte do nosso corpo???
Por outro lado, o grupo de mulheres casadas acredita ser de uma casta diferente, acredita que teve mais sorte, que é mais respeitada, ainda que o marido saia de casa para ter 40 das outras, das reles, ele acaba sempre por voltar para o lar e para os filhos. Até quando vamos deixar viver o macho latino e a mulher submissa? É Ai que se encontra a felicidade??? Tenho duvidas, variadas duvidas, mas se calhar só apenas aquela solteira que não tem marido e mais nada para dizer ou fazer, aquela que de tão traumatizada que está anda a escrever sobre a felicidade dos outros, sabendo que me resta pouco mais do que ficar associada a casta das outras, as que não casaram e não têm filhos, as que enfim coitadas!!
E assim me despeço!!!



