MarinaLua

2009/09/19

Tanto tempo…

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 19:26

Tanto tempo sem nada escrever, tanto tempo sem meditar, sem aprofundar. Todos estes dias ausentes do processamento de tudo aquilo que tem sido a minha vivência…e tanta coisa alterou a minha visão, a minha maneira de olhar e mesmo a forma de me entregar!!! Estou neste processo, nesta reconstrução…

Tenho me entregado a esta interação, com a vida e tenho tido a sorte de ganhar mundo mesmo na dor, na recusa e em tudo o que não acompanha as minhas vontades, as minhas necessidades…Um passo que não se traduz apenas nesse passo, que traça a estrada, que define o caminho…se novo, se pequeno desvio do já anteriormente traçado, fica para mais a frente perceber ou até saber.

Na maravilhosa cama, uma companhia na leitura, presente e envolvente…a natureza lá fora e toda a sua envolvência, dão me a certeza da sorte de desafiar os dias e do conforto de me sentir cada vez mais livre…tão errada e tão certa, mas tão livre!!!

2009/08/19

Os dias II

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 19:46

Os dias…

Acordo, lavo os dentes, faço ginástica, tomo banho, vou trabalhar, tomo o pequeno-almoço, que ritual, que rotina. Socorro, grito para dentro da minha cabeça, quem sabe o neurónio da criatividade não se agita e não convida todos os outros para uma grande festa produzindo algo que me de alento e me conforte mais os dias. Uma ideia, um projecto, algo que me consuma ao ponto de não conseguir contar o tempo. Mas a verdade é que sinto o dia a passar, já é fim do dia e estou sentada na minha secretaria no local onde normalmente chamo TRABALHO, como se tivesse mais alguma secretária.

Pronto já percebi, a criação é um acto do inconsciente, do irracional. Essa ideia ou esse projecto, há-de acontecer num momento muito especial, onde eu quase não vou existir. Sabia, que quase sempre era uma atitude não comandada. Até lá, tenho mesmo que viver os dias exactamente como eles se propõem. Viver os dias tem tanto de conforto como de tortura, consegue ser doloroso para mim cumprir esse ritual diário em alguns momentos e por incrível que possa parecer, consigo sentir uma liberdade e um conforto na maior parte do tempo.

Penso que os dias são peças com uma força que me atrai, porque há sempre uma incógnita e uma certeza incerta neles. Nada é gratuito e os dias cumprem a sua função. Viver os dias é como estar marcado, é talvez a particularidade mais real que partilhamos todos. E podemos engolir o veneno dos dias, quando nos resignamos, quando nos deixamos ir no que podia ter sido ou no que vai ser. Mas dentro da sala dos meus neurónios extrai, de alguma forma, a substancia mais forte que hoje rege a minha vida.

Viver os dias o melhor que consigo é a minha doença, mas é simultaneamente, a minha vitalidade. Viver os dias é muitas vezes a minha miséria e o meu maior capital. Não posso viver sem os dias, embora me seja muitas vezes difícil suporta-los.

2009/07/13

Um acto de amor: a liberdade

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 18:30

Hoje acordei livre…simplesmente livre. Tenho a vida toda dentro de mim e penso que durante muito tempo não me senti assim. Tive vários momentos de dores, de desequilíbrios, de ansiedades, de desesperos e de inseguranças. Como uma vontade que começa a ganhar vida sinto me a caminhar e experimento uma perturbadora estranheza. As minhas vontades eram vítimas da crítica popular, eram fracas, sem espirito próprio. Havia sempre uma oposição moral, uma incompreensão, um julgar sem perceber, um olhar mais duro. As minhas manifestações do querer apareciam em cena banalizadas pelo quotidiano, desordenadas, distorcidas. No fundo de mim, nasceu um acto de amor, que arrancou qualquer superficialidade, e as expôs no espelho em que me vejo e revejo a cada dia, no desvairo do sentido pleno do meu existir. O meu ser actual, incorpora a dimensão humana de coisas mais reais, comuns, com a certeza de que muita coisa nunca mais vai ser a mesma.

Já não sei, não consigo suportar o artificialismo da felicidade mentirosa e irreal que por tantos cantos me rodeia. As pessoas sempre tão bem arranjadas, vestidas de salto alto e fatos feitos a medida, embora dolorosamente perturbadas. Meros robôs autómatos que se limitam a seguir a mesma estrada, a cumprir as mesmas indicações e a viver sem sentido nem alma, presos num sentido e numa alma única. Quero pousar gentilmente na vida e absorver com generosidade as histórias, as emoções, as memorias, as alegrias e dores. Quero perguntar o que sentes? O que pensas? O que vês? Tudo tem muito pouco de sentido lógico, é importante ir ao fundo dos nossos sentimentos, encontrarmos os sentimentos comuns, falarmos a linguagem na qual todos nos encontramos. Porque essa linguagem existe.

Não quero mais respostas, tenho tantas perguntas. Não quero certezas porque essas vão se alterando em outras incertezas. Quero o quotidiano, o real, o erro, o acerto e o voltar a errar. Quero o descompasso da vida. Não quero essas escolhas bonitas, cheias de elogios, essas vidas paradas no postal, ou nas fotografias das mesinhas das salas ou nas cómodas dos quartos. Quero esses momentos carregados de incertezas, mas que encerram a verdade do sentimento. Quero estar entre a diferença daquilo que é a realidade e a ficção, porque a ficção tem que fazer sentido e a verdade é apenas aquilo que é. O que eu quero é a liberdade de ser autêntica.

2009/07/09

Perder uma amizade!!!

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 9:11

Percebi com alguma dor que por vezes vivemos amizades contra a impossibilidade de se poderem vive-las. Talvez porque muitas vezes somos dominados pela expectativa de que basta o sentimento e a verdade ou talvez porque somos plenamente optimistas e acreditamos que a empatia poderá diluir as diferenças. Fica a faltar o simples aceitar que aquele ser tão diferente de nós, tão cheio de duvidas e de ansiedades como nós, muitas vezes se desencontra do nosso caminho e se transforma e nessa transformação algumas das nossas verdades comuns podem já não se encontrar,  não coexistir, não tocar nos pontos profundos e na essência do que realmente somos. E para mim mais gritante, muitas vezes não conseguimos aceitar que o amor que alguém tem por nós possa ser expresso de forma tão diferente daquilo que é a maneira que acreditamos que se deve amar. Como se pudesse haver uma forma única para qualquer sentimento de amor. Compreendi que a minha felicidade é o oposto de qualquer mentira e passei aos poucos a aceitar a minha verdade, a aceitar a leveza do fardo dos meus defeitos, das minhas incongruências, dos meus medos e anseios, dos meus desvaneios. Assim, quando de súbito perco uma amizade, perco também por instantes o equilíbrio e sinto me tão perdida como alguém que caminha para fora do tempo. Mais a frente, voltarei a mim, porque sinto a vida mesmo sem querer e sinto a força necessária de quem tomba e tão agilmente recomeça. Mas, neste momento, nada compreendendo, estou confusa entre o que falhei e o que não percebi, deitada com a companhia de um turbilhão de momentos, de pensamentos, de sentimentos distorcidos pela dor da incompreensão, estou suspensa entre o fechar a porta e o voltar a caminhar, tenho os pés a erguerem se num passo indeciso e toda a cabeça voltada para a vida em si. Penso triste e mais consciente, para aonde vou?? Não interessa, afinal quem vai dar esse passo já é um eu diferente.

2009/07/01

Fruto Proíbido…

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 19:14

A conversa começou assim: “Sabes que és o meu fruto proíbido…distante, impossível, exótico e platónico. Giro quão simples as coisas podem ser…

Ponho me a pensar com o ego por momentos nas nuvens, o que é ser o fruto proíbido de alguém, como se chega a isso e porquê??’ Temos sempre a tendência de tentar perceber o que é que as outras pessoas veêm em nós, nós que convivemos tanto tempo connosco e acabamos por nós esquecer de quem somos, onde começamos, por onde navegamos e onde eventualmente nos encostamos…Fiquei sem saber ao certo o que te responder, mas uma coisa posso te dizer admiro a tua persistência, o tempo que acreditas neste fruto proíbido e o tempo que estás de pé a acreditar nesse feeling sobre mim…

O que eu sou…exótica não me parece, distante talvez porque levo tempo e/ou não a tentar  acertar com algumas coisas, tenho esta maneira desarrumada de arrumar as minhas emoções, preciso de um armário com várias gavetas e preciso de ter a certeza que arrumo cada coisa na devida gaveta… it takes time for me to move forward…impossível não me vejo assim, mas há quem diga que sou muito menos possível do que aquilo que pareço, talvez já me tenhas lido melhor…e platónico não sei falar sobre isto…

O que tu és…para mim és algo muito forte e seguro…és uma amizade que me preenche a alma e uma força que me dá força em temas que nem imaginas…mais que isso tudo és um silencio seguro e um barulho cheio de coisas que eu não consigo de momento agarrar…já te arrumei de forma diferente aquela que muitas vezes expressas vontade e preciso mais de ti dessa forma…não sei porquê, apenas por instinto o fiz assim…gosto do teu jeito livre e da tua forma optimista de ser e de estar…

Em dias como este em que me chamas fruto proíbido, iluminas me a alma e fazes sentir me especial…o tipo de sentimento que me deixa um sorriso na cara cheia de buchechas e me diz que afinal sempre vale a pena…em dias como este sinto a nossa sintonia e sinto bem…

um beijo J,

Telma

2009/06/27

Parabéns Pai…

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 19:59

Hoje fazias anos…o tempo vai passando mas as saudades e a vontade que tenho de falar contigo não se vão embora!! Aprendi a aconchegar isso num canto dentro de mim, falo contigo em vários momentos,várias vezes, falo contigo principalmente quando estou perto do mar ou no mar…tenho estas imensas e diversas conversas silenciosas e sei que me ouves e que de vez em quando me encostas ao teu peito e me fazes cafuné…parece loucura mas sinto te sempre a minha volta, o sentimento que te tenho preenche me e faz me bem…com o tempo vou me perdoando e vou te perdoando também…perdemos tanto tempo…mas talvez tivesse que ser assim…em vida deste a noção do quão difícil é aceitar alguém simplesmente pelo que ela é, lutei contra isso e aprendi que o amor é real quando simplesmente aprendemos a aceitar as pessoas exactamente pelo que elas são…quando te foste deixaste me a noção perfeita da importância e do valor do tempo…deixo te aqui meu querido pai um beijinho de parabéns…continua perto de mim, nem que esse perto seja apenas a minha maneira de te aconchegar, sejam apenas coisas da minha maneira desarrumada de te sentir perto…vou continuar a ter estas silenciosas e muito reconfortantes conversas contigo e vou continuar a sentir te a minha volta…beijo grande Pai!!!

2009/06/22

Não sei chegar a ti!!

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 23:57

Pensei em ti…tive uma vontade imensa de saber de ti mas não sei como chegar a ti…

A rua até ti tem buracos e becos sem fim, parece perigosa e nunca sei o que vou apanhar no caminho…

Mantenho me aqui quieta e sinto me bem porque de vez em quando penso em ti…

Talvez nunca penses em mim, talvez nem te interesse saber que de vez em quando penso em ti…

É tudo tão vago…ficou o cheiro embriagante de um momento que poderia ter sido algo bem mais bonito…algo de mais intensidade e ainda assim tão light como uma brisa de fim de tarde, que sabe tão e dura apenas esse fim de tarde…

Não sei chegar a ti…entraste num barco sem destino, num barco em que nem sei em que porto partiu e a que porto vai chegar…

Não sei chegar a ti…tenho as mãos e os pés atados…perdi a fala e por gestos tu nunca vês…

Não sei chegar a ti…saberia se por pensamento soubesses que penso em ti…

Porque a vida tem muito de vida…

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 23:51

Se eu pudesse falar,

Se não me faltassem os sons,

Que fecham a frase…

 

Se eu conseguisse escrever,

Se não me faltassem os dedos,

Para as palavras certas…

 

Se pudesse transpirar o sentir,

se não me faltasse o cheiro,

que expressa esse viver…

 

Poderia enfim, sem pretensão dizer-vos…

que a vida tem muito mais,

do que aquilo que podemos apalpar…

2009/06/14

Sentido oposto

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 13:47

Tenho este sentido oposto a tudo o que parece pouco, a tudo que se encontra vazio e se enche por momentos falsos ou sem expressão…corro no sentido oposto porque me sufoco, claustrofobicando tudo…é eu sei, essa palavra eu inventei agora,mas não é minha, é do meu pensamento…ele emprestou a minha mão que a pós aqui neste espaço de escrita…

Nesse sentido oposto em que caminho muitas vezes esbarrei contigo…e confundiste por alguns momentos a minha direcção..não sei me ouves, não sei se me sentes e quase como a consequência obvia de quem vive neste meu sentido oposto, passo a confundir me, a não sentir me também…fico parada, porque de repente não sei qual é a direcção oposta ao nada ou ao quase nada…

Chamar a este esbarrar vazio é pretensão…estás apenas no sentido oposto ao meu e assim medimos tudo de forma diferente…as horas não são as mesmas, o tempo não vale o mesmo…ohhh a linguagem, a linguagem do som afasta se da que é expressa pelo teu corpo, principalmente quando junto ao meu…o teu cheiro conta me longas histórias, muitas de humor e cheias de vida…

Não sei quanto tempo…se horas…se minutos…se dias…sei que retomarei o meu sentido…tão diferente do teu…

2009/06/09

Noite/Lua cheia

Arquivado em: Intimidades — marinalua @ 10:16

É noite

está lua cheia

e tu estás aqui…

 

Não sei quando o sol se pôs

Ou se demora a voltar…

 

Sinto no ar o teu aroma leve

Sinto na pele a tua presença intrigante…

 

Não sei quanto tempo falta

Para a lua se ir embora

Tão pouco sei

Se amanhã quando ela voltar

Estarás aqui…

 

É noite

E estás aqui

Nem sei porque penso…

 

Na lua

ou se é lua cheia

talvez seja o tempo

que importa isso agora…

 

É noite

e tu estás aqui…

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