MarinaLua

2009/10/04

A boa da EXPECTATIVA.

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 1:56

A conversa começou mais ou menos assim:  – afinal ele não é nada daquilo que eu acreditei que ele fosse, mas já vos conto melhor a história toda – diz M triste e cheia de certeza que todas a íamos apoiar. O resultado desta conversa foi um debate a volta das razões pelas quais a M estava tão desiludida, experimentar propor novas alternativas de abordagem ao tema, expor ideias e conceitos a volta de tudo o que afinal é tão comum ao ser humano,  A BOA DA EXPECTATIVA.

Essa vossa amiga , a boa da expectativa, estraga tudo e exige muito.

Vamos lá crescer e ser maduras, vamos lá olhar para dentro de nós e tentar perceber porque é que queremos exigir aos outros aquilo que projectamos na nossa cabeça, ou será que conseguimos acreditar que existem pessoas feitas a nossa medida??Será que iríamos gostar das pessoas se elas viessem exactamente da maneira que exigimos??Como podemos querer que alguém seja verdadeiro connosco se em muitos momentos nem nós o somos connosco??

O exercício na realidade deve começar dentro de nós. Como gerimos as nossas ansiedades, as nossas inseguranças, os nossos medos?? O que estamos a espera quando iniciamos uma qualquer relação, seja ela de que natureza for?? Será que não temos pistas que ignoramos?? Ou porque não vemos ou porque estamos carentes, será que não relevamos o que mais tarde usamos como prova irrefutável do mau carácter de quem nos magoou???

Parece difícil e parece que não é nada assim mas eu cada vez mais acredito que todas as relações deviam existir sem qualquer expectativa. Podem perguntar me, e como se faz isso??? se somos humanos e esperamos sempre alguma coisa de volta?? Haaa, pois é, ai reside o tema. Não ter expectativas é ter segurança naquilo que somos e no que fazemos, é seleccionar através de todos os sinais os caminhos que queremos percorrer, porque os sinais, esses meus amores existem.

Mas acima de tudo não ter expectativas é assumir as consequências das escolhas que fazemos, é olhar para dentro de nós e perceber que num dado momento, por uma qualquer razão fizemos aquela escolha e a consequência é tão natural quanto a escolha. Porque viver é escolher e escolher é determinar um caminho, definir um rumo, que certo ou errado vai traduzindo aquilo que somos. E essa escolha é nossa, não devemos sobrecarregar ninguém pelo facto de a termos feito.

E vocês dizem me, mas eu só fiquei com ele porque ele disse que me amava, humm, quer dizer e tu também o amavas ou só o amavas porque ele te amava??? Haaa mas eu só lhe ajudei porque achei que ela era minha amiga, ela dizia que eu podia confiar nela, ok, e se confiaste ela tem culpa?? Isso é viver, isso é correr riscos, é escolher e viver as consequência dessa escolha, boa ou má.

Os nosso erros não eliminam os erros de quem connosco erra, apenas não podemos nem devemos concentrar a culpa das nossas escolhas no alvo daquilo que escolhemos. Crescer não é só ser responsável e pagar as contas, e educar bem os filhos, é olhar para dentro e perceber aonde é que as nossas ansiedades e medos tocam naquilo que estamos a espera dos outros. Como é que podemos fazer alguém feliz, se não formos felizes???

A BOA DA EXPECTATIVA, é apenas uma maneira que temos de aconchegar na cabeça aquilo que ansiamos e que por alguma razão achamos que é o melhor. Não sei se existem verdades absolutas, a vida é feita de momentos e tudo se vai alterando , se olharmos para dentro e criarmos uma certeza naquilo que somos, estamos menos frágeis e menos expostas a desilusão.

Mas a boa da verdade é que mesmo as pessoas que nos gostamos muito nos vão magoar sempre, porque são humanas, porque são ansiosas, medrosas, em alguns momentos fracas e ainda assim havemos de perdoa-las e continuar a ama-las…

2009/07/10

” O tempo dos surdos e dos mudos”

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 9:32

Agora de manhã no meu ritual de passar uma vista de olhos pelos jornais surpreendi me com um artigo excelente no jornal ” O País”. Senti um orgulho imenso, pela maneira como a forma de expressar aquilo que no fundo todos sentimos evoluiu e senti a mesma preocupação diária de quem também muitas vezes fica calada.

Vou deixar vos alguns excertos que são para mim bastante pertinentes e para quem quiser basta ler o jornal na pagina 12.

” Eu nasci num tempo em que já não havia colonos nem guerra colonial. Havia guerra entre irmãos, mas colonial já não. A minha infância foi povoada de relatos de vestígios de morte, a minha adolescência foi vivida entre o medo de ir para a tropa e a esperança no fim da guerra…

O futuro era uma incógnita por isso falava se do passado. De um passado recheado de coragem em busca da liberdade. E aos meus olhos Agostinho Neto e os seus companheiros eram os heróis da vida real…

Felizmente a guerra acabou sem que eu fizesse um único tiro, a seguir veio a paz e eu não fiz um tiro sequer. No meio disso nasceram outros heróis, que um dia as crianças vão ouvir falar nas escolas. Mas hoje quando penso na nossa sociedade não consigo livrar me da sensação de estar amarrado dentro de mim. É verdade que posso ir a Benguela de carro, passar pelo Huambo e chegar até Malanje, mas ainda assim sinto me um prisioneiro dentro de mim. Todos os dias tenho necessidade de repetir para mim mesmo que sou livre, mas nem o som da minha própria voz parece o mesmo…

Vivemos com medo mas , se pensarmos bem, nem sabemos do que tememos realmente e acabamos por ter medo de tudo, até dos nossos pensamentos, das nossas ideias. Numa sociedade livre as pessoas não têm de se lembrar todos os dias que o são, numa sociedade livre, a liberdade é uma condição imanente da sua própria humanidade, é como o respirar, faz parte de si, e os gestos, os actos, as atitudes surgem com naturalidade, exactamente como respiramos. Quando não respiramos morremos, quando não temos liberdade também…

Mas a verdade é que no nosso país até a mera intenção de falar se tornou num acto “insensato” de coragem, pensar hoje é uma afronta, e por causa disso estamos a construir uma sociedade dos Prós e dos Contra, onde quem fala subverte o sistema e ameaça a estabilidade, como se das palavras viesse o mal que todos vêm, como se o silêncio fosse capaz de corrigir os erros que sabemos, como se o barulho do nosso grito mudo fosse capaz de abafar as nossas frustrações visíveis em cada olhar calado. O falar só assusta numa sociedade onde não há liberdade. Mas mais do que assustar, quando não há liberdade o falar incomoda, e as pessoas vivem caladas, ou falam o que não pensam. Mas a maioria não fala, até aqueles que têm a obrigação histórica de o fazer. Não falam, não porque têm medo de falar, mas porque têm medo de pensar, e não querem correr o risco de falar. Silenciamos o pensamento e vivemos calados de boca aberta…

Uma sociedade que não pensa porque tem medo de falar, não produz ideias. Uma sociedade que não tem ideias, porque não pensa, nunca atingirá a excelência. Uma sociedade que não permite que os seus membros falem, impede que os seus membros pensem, impede que eles atinjam a excelência. Uma sociedade assim nunca produzirá um Barack Obama ou um Nelson Mandela, um Ghandhi, nem sequer um Cristiano Ronaldo.

A minha geração parece contente com a sua existência. Mas não está. Parece que vive para assistir a hora passar, enquanto inventa um momento, uma festa, um caldo, ou fica na esquina da rua a fazer o jogo de cintura, enquanto bebe uma cerveja e finge que está contente, mas na verdade não está. Temos apenas medo, e bebemos para afogar os pensamentos, como o poeta que fumava ópio. Fingimos sorrisos, mas vivemos a reclamar calados. Calados ninguém nos ouve. Estamos todos fartos. Não é possível fingir mais. Não é por muito fingir que as coisas vão mudar…”

2009/07/09

“Contradições”

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 20:25

Li uma crónica muito interessante na revista veja e a frase que me saltou logo a vista foi ” Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce.”

Parece me que queremos ter um conjunto de coisas e contraditoriamente criamos um conjunto de regras de jogo que limitam a nossa humanidade ou simplesmente não nos lembramos que podemos pensar nas coisas, porque pensar dá trabalho. É mais fácil seguir as regras da sociedade, que em muitos casos fica aquém do desenvolvimento do homem, das sociedades, das organizações. Tenho algumas dificuldade em acreditar que consigamos respeitar a individualidade para na união conseguirmos criar um consenso comum do conjunto. Sinto que estamos encurralados em nós mesmos, não conseguimos desafir a rotina, o obvio e querer descobrir um sentido para a vida. Artigos com promessas de como devemos agir para ser felizes, o que devemos fazer, para onde devemos caminhar, como escolher um emprego, como escolher o par ideal, como agir quando isto ou quando aquilo. O senso comum (se podermos acreditar que existe tal coisa) acredita que pensar dói, que mudar é negativo e que tudo deve girar a volta de controlar a nossa naturalidade.

Dawn…este veneno de seguirmos em manada sem criarmos o acto de pensar, de reflectir sobre a evolução do mundo e das coisas, esta situação meio humilhante mata a naturalidade do homem enquanto individuo. Sobram as excepções de alguns que no laboratório das suas consciências extraem de alguma forma o acto de questionar, mesmo que para depois do exercício de pensar possam por fim concluir de forma igual. Questionar é a minha doença, mas é também de onde tiro toda a minha inspiração e de onde passo em muitos momentos daquilo que sou ao que exponho, na escrita, em conversas, pensamentos e afins.

A vida em si esta dentro de nós, tudo o resto se junta e se complementa. As verdades de hoje alteram se em verdades diferentes amanhã e tudo o que sabemos se torna dinâmico, porque nos vamos sofrendo alterações com as experiências e com todas as escolhas que vamos percorrendo. Como podemos reclamar a liberdade se nos obrigamos a um conjunto de deveres, como reclamamos o amor se não conseguimos dar, como reclamamos uma universalidade se na realidade e com sinceridade não nós consideramos iguais, estamos cheios de preconceitos, de padrões pre-concebidos, de ideias já formatadas.

Para esses poucos como diz o artigo e muito bem, esses que no laboratório das suas consciências extraem o acto de questionar, viver é realizar alguma coisa útil, ser honrado, apreciar a natureza, sentir o calor humano e partilhar afecto e esses usam a escada rolante do lado certo. Estes em muitos momentos desafiam a rotina e tentam descobrir um sentido para a vida, não se acham o máximo e não se sentem um lixo e não carregam a mala da culpa e nem a mochila da ansiedade. Se pensarmos que a natureza do processo evolutivo joga se em dois tempos que podemos definir como a recombinação genética aleatória e a triagem dos organismos resultantes, percebemos imediatamente que tudo se resume ao acaso e a necessidade.

2009/06/11

Poesia…uma paixão! deixo-vos Eugenio de Andrade

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 16:48

1.

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

2. 

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

2009/06/08

Falar de ti…

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 11:20

Falar de ti é como falar de tudo ao mesmo tempo, mas sem pressa e sem fobia, como se as coisas se alinhassem numa ordem positiva e cheia de dinamismo. Falar de ti é falar de determinação, de liberdade, é voar daqui para um qualquer lugar, ainda que sem asas mas com a mesma sensação que deve ter a quem a vida deu o direito a voar…

Falar de ti é divagar naquilo que não sei de ti, é acreditar que os teus defeitos se escondem na grandeza daquilo que te tornas no meu imaginário enquanto meu amigo, falar de ti é como ler um livro cheio de enigmas que nos despertam a curiosidade e nos apelam a aventura, ao desconhecido…nos jogos de conversas que temos, tudo para ti parece sempre mais fácil, ao alcance do querer e fazes desse querer algo tão simples quanto complicado ele pode ser…mas a verdade meu amigo é que falar de ti para mim é escrever, uma ideia, um conto, uma crónica, um frase ou apenas uma palavra, é onde de certeza te encontro mais…

2009/05/16

good feeling’s

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 23:42

De vez em quando, muito de vez em quando conhecemos alguém que simplesmente nos enche as medidas, quanto mais não seja pelo potencial de pessoa e quando digo pessoa, estou a fazer uma mistura simpática de personalidade e bom humor, que se apresenta a nossa frente…A vida ensinou me a ser prudente da mesma forma que me ensinou o poder do agora, dos momentos, por isso Adriana escrevo isto para ti…és um muito bom feeling para mim, foi um enorme prazer conhecer te…Um extremo bom humor, uma maneira leve e divertida de viver os momentos e mais qualquer coisa que deixa tudo no ar e muito para conhecer e descobrir…Obrigado e um beijo gordo!!!

Pero me acuerdo de ti!!!

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 21:05

apesar de tudo….tiveste bem meu amigo!!

Muito obrigado…

2009/05/11

12 dias…

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 7:33

Gostava que o tempo me devolvesse 12 dias…podemos pedir para ele simplesmente voltar 12 dias atrás???

2009/05/10

Onde esta o salto…

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 12:05

” Don’t be cool, be relevante”       from my friend Nastio Mosquito!!!

2009/05/06

Hoje…

Arquivado em: Opinião — marinalua @ 10:02

Hoje acordei triste…engraçado muito serena mas triste. Existem coisas que gostava que fossem diferentes, não diferentes como eu gostaria, diferentes na essência…mas existem outras coisas boas que me acolhem e essas pesam muito, pesam mais…tenho saudades!!!

Posts Mais Antigos »

Blog em WordPress.com.